Meditações
| Posted on Tue 12 Dec 2006 by ricardo (487 reads) |
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Para ter pontos de referência, para ficar em ordem, para se tranquilizar, o ser humano organiza o real em categorias: organiza, classifica, delimita. Alguns encontram a sua identidade opondo-se a outros. Para o cristão, em Cristo, esse mundo terminou. «Não há judeu nem grego; não há servo nem livre…» Enganar-nos-íamos se pensássemos que Paulo evocava apenas uma mudança na maneira de ver o mundo, pela qual nos tornávamos mais libertos de preconceitos, mais abertos ao real. Alguns filósofos aspiravam a uma tal amplitude de vista. Mas para Paulo, trata-se de outra coisa. Não se trata de um ponto de vista, mas de uma realidade: «todos vós sois um só em Cristo.» Assim sendo, é preciso repensar a sua própria identidade e o mundo não por oposição, mas a partir dessa unidade. Na sua carta aos Gálatas, o que interessa Paulo, acima de tudo, é o fim da oposição entre Judeus e não-Judeus (Gregos). Perder esse ponto de referência fundamental, a referência do religioso, pode ser como um desmembramento; Paulo chega ao ponto de dizer que o mundo (esse mundo antigo caracterizado por oposições) foi crucificado para ele (6,14). Já não existe. Surgiu um mundo novo com Cristo, uma criação nova (6,15). A unidade nova que caracteriza esta nova criação confunde-se com a própria pessoa de Cristo. Pelo nosso baptismo, tornámo-nos membros do seu Corpo e por conseguinte unidos a todos os outros membros desse Corpo. Se Paulo pode chegar ao ponto de dizer «não há homem nem mulher», fazendo claramente referência à narrativa do Génesis (1,27), é porque a resposta à solicitude do homem não está na comunidade a dois, mas nessa vasta comunidade que se edifica em Cristo. Da fé na ressurreição brota uma vida de comunhão. O baptizado, doravante, encontra a sua identidade nessa comunhão. Ressuscitado com Cristo, já não precisa de adversários para existir ou para se definir. - Vivendo a fé em Cristo já passei pela experiência de perder antigos pontos de referência e de encontrar novos? Quais? - Porquê a necessidade de ter adversários? O que nos pode libertar disso? |
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