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Meditações
  Posted on Tue 03 Jul 2007 by ricardo (770 reads)
«Assim fala o Senhor DEUS: Depois, eu mesmo tomarei do cimo do cedro, do mais alto dos seus ramos colherei uma haste, e plantá-la-ei num monte bastante alto. Plantá-la-ei na montanha elevada de Israel: deitará ramos, produzirá frutos e tornar-se-á um cedro magnífico. Nele habitarão todas as espécies de aves; à sombra dos seus ramos repousarão todas as espécies de voláteis. E todas as árvores dos campos saberão que sou eu, o SENHOR, quem humilha a árvore elevada e eleva a árvore humilhada, quem faz secar a árvore verdejante e florescer a que está seca. Eu, o SENHOR, disse-o e cumpro-o.» (Ezequiel 17,22-24)

Como nos nossos dias, no tempo dos grandes profetas da Bíblia a situação política era de uma complexidade que por vezes desorientava. O pequeno povo de Israel, obrigado a traçar o seu caminho entre os grandes deste mundo, era ameaçado pela tentação de se aliar a esses poderes mundiais, esperando assim defender-se ao fazer com que uns lutassem contra os outros. Os profetas, por seu lado, acentuavam a confiança no Senhor, único Mestre da história. Compreende-se facilmente que aos olhos dos «realistas», a sua atitude nem era digna de ser levada a sério.

Mas onde se encontra o verdadeiro realismo? Aqui o profeta Ezequiel insurge-se contra a tentativa dos chefes do seu povo de encontrarem a salvação pelo jogo das alianças. Descreve a Babilónia e o Egipto como duas grandes águias que disputam um cedro entre si, na verdade uma vinha que no fim fica reduzida a nada. Para Ezequiel, é evidente que todas as tentativas para se saírem bem aliando-se aos poderosos deste mundo está condenada ao fracasso.

No meio desta confusão, surge outra esperança. De maneira inesperada, o próprio Deus tomará conta da situação. Escolherá um pequeno resto da nação («um jovem rebento») e irá trazê-lo de novo para a sua terra onde se enraizará. Esse rebento minúsculo acabará por se tornar uma magnífica árvore, de forma que todas as aves virão fazer os ninhos nos seus ramos. Assim saber-se-á que Deus tem nas suas mãos as chaves da humanidade e que é capaz de fazer maravilhas a partir de quase nada, enquanto que a força e a grandeza humanas muitas vezes não são senão aparências vazias.

Esta alegoria de Ezequiel contém em germe toda a lógica divina que resplandecerá com vigor aquando da vinda de Cristo. E Jesus empregará exemplos semelhantes para explicar a chegada do Reino de Deus com a sua pessoa (ver Marcos 4, 30-32).

- Conheço exemplos em que Deus reduz a nada os desígnios dos fortes deste mundo?

- O que significa ser realista? A convicção de que Deus se encontra escondido por trás do decurso dos acontecimentos terá justificação?

- Que consequências tem essa convicção no meu comportamento?

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